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UFSM Noturna



“Lua de prata no céu/ O brilho das estrelas no chão/ Tenho certeza que não sonhava/ A noite
linda continuava/ E a voz tão doce que me falava/ O mundo pertence a nós/ E hoje a noite não tem luar/ E eu estou sem ela/ Já não sei onde procurar/ Não sei onde ela está.”

Renato Russo, na canção em que foi retirado o trecho, fala da noite de forma melancólica, de um amor que se foi. Muitos outros artistas a tratam da mesma maneira. Já na UFSM, a noite é local de estudo de centenas de alunos distribuídos em cursos de graduação, pós-graduação, técnicos e tecnólogos.

As aulas noturnas pedem um cuidado especial por parte das coordenações e da reitoria, pois há demandas diferentes dos cursos diurnos. Como, por exemplo, iluminação, segurança reforçada e ônibus frequentes. Além disso, também requer uma atenção aos serviços oferecidos ao longo do dia que podem apresentar descaso: limpeza, higiene, serviços de xerox, laboratórios de informática, bibliotecas e alimentação.

Fomos ao Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH) e ao Centro de Educação (CE) ouvir as reivindicações dos alunos que estudam de noite e fez um levantamento junto aos coordenadores dos centros e à Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfra) para a realização da matéria.

Segurança 

A vigilância foi um dos setores que teve corte de prestadores de serviços nos últimos anos. Apenas um guarda faz ronda no CCSH, mas mesmo assim, os alunos têm a sensação de segurança no território universitário. “Nunca me senti insegura dentro da UFSM. Acho que é mais perigoso passando o pórtico de entrada”, revela Patrícia, estudante de Administração.

O diretor do CCSH Mauri Leodir Löbler, explica: “Dois anos atrás, houve um corte de vigilância física. Se você observar à noite, vai notar um guarda circulando. Durante o dia, a segurança pode ser mais volante. Acontece um problema que precise de intervenção, você liga e a patrulha móvel vai. Eu pedi que a noite fosse diferente porque a presença física inibe a ação na maioria dos casos”.

Ainda para os estudantes do CCSH existe um obstáculo entre o prédio e a parada do ônibus que é a existência de um bosque. Os alunos contam que evitam passar por ali visto que ações criminosas podem ser feitas sem a percepção deles. Sobre a segurança e rotina dos alunos, a diretora do CE, Ane Carine Meurer, conta: “Alunos evitam sair sozinhos pelo campus à noite. O estudante sai às 22h e até chegar em casa já é após as 23h. Para trabalhar cedo no outro dia e ainda conseguir ler os materiais fica muito pesado”.

Na Avenida Roraima, Ane diz que a situação de insegurança sentida ali, e em outras partes da cidade, só reflete os problemas que assolam a nossa sociedade atualmente. O Pró-reitor de Infraestrutura, José Mario Doyles Soares, fala que a segurança é uma das principais preocupações da Proinfra. Para que o aluno se sinta seguro existe, além da vigilância física, inúmeras câmeras e uma central de monitoramento na Reitoria para registrar os acontecimentos tanto de dia quanto de noite.

Iluminação 

Os centros cuidam da manutenção da iluminação interna, enquanto a externa é de responsabilidade da Proinfra. A iluminação é um quesito a ser elogiado tanto no CCSH quanto no CE. A acadêmica de Administração Patrícia diz que “a iluminação é tranquila. Pelo menos, até o terminal. Mas depois pega trechos menos iluminados”.

No CCSH, foram colocados refletores ao longo das laterais dos prédios para melhorar a visibilidade, mas o diretor preocupa-se com a área das árvores do bosque: “Aqui ao redor do prédio, graças a esse projeto dos refletores, é suficiente. Quanto ao resto do campus, no caminho CCSH até o terminal, o problema é que tem árvores no bosque, então inviabiliza a iluminação eficiente ali. No largo do planetário, é iluminado, mas quando passa pelos eucaliptos, a luz é mais precária. Muito por conta das árvores. Com esse trecho, eu me preocupo um pouco”.

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A professora Glaucimara Pires, coordenadora do curso de Educação Especial noturno, conta que os alunos geralmente andam em grupos no horário de saída: “os que moram na casa do estudante vão até a parada do HUSM e vão pelo caminho que passa em frente à biblioteca central”. Ela lembra também que até quem vem de veículo próprio, procura caminhar por lugares mais iluminados após a aula, quando vão em direção aos seus veículos. 

Para a Proinfra, a preocupação não é só no trânsito de carros e pessoas, mas também na economia de custos, como diz José Mario Doyles Soares: “ O nível de iluminação está bom. Mastemos alguns projetos para melhorar ainda mais com grupos de pesquisa do Centro de Tecnologia e concessionárias. Inclusive, estamos mudando o sistema de lâmpadas convencionais para LED, monitoradas. Com sistema mais moderno, podemos aumentar o nível de iluminação com menor preço.” 

Em outros trechos da UFSM, a iluminação é mais precária, como por exemplo a saída da Reitoria, o local de árvores embaixo da ponte, a rua na frente do CCSH que vai em direção ao CE, o caminho para o CEFD, a pista de caminhada e em torno do Centro de Eventos. Sobre esses pontos, o pró-reitor pede: “Nós, naturalmente, solicitamos a todos os estudantes, servidores, professores e todos que transitam no campus que venham até a Proinfra indicar pontos a serem melhorados. Não é incômodo. Pelo contrário, é um apoio para nós. Sobre os bosques, nós sabemos que onde tem árvores é muito agradável ao longo do dia, mas de noite vira um obstáculo para a iluminação”, justifica.

Transporte 

A questão mais delicada sobre os cursos noturnos é quanto ao transporte. Existiram reclamações quanto às linhas Bombeiros e Tancredo Neves. Ao comparar o turno diurno e noturno fica evidente a diferença. A linha Bombeiros entre 6h45min e 18h tem uma média de 6 ônibus por hora. Já depois das 18h, a média cai pela metade. A média da linha Tancredo Neves não diminui tanto: de 2 por hora na parte diurna para 1,6 a média noturna. O problema está mesmo na pouca frota tanto de dia quanto de noite.

DSC_0584“Eu utilizo o Tancredo Neves/Campus, mas se eu perco tenho outras opções, como bombeiros. E são essas duas as mais lotadas. O pessoal fica na porta da frente e já desce por ali. É desumano”. Esse é o relato da estudante de administração, Deise Nascimento. O CCSH, a partir de sua direção, fez a implementação de um ponto de ônibus na frente do prédio para facilitar a locomoção dos alunos noturnos. Além de protegê-los em questões de segurança, como não ter necessidade de passar pelo bosque e o aproveitamento da iluminação do Centro de Sociais e Humanas.

O diretor do Centro detalha o processo de colocação: “Nós pedimos para eles que os ônibus transitem na frente do prédio. Chamamos os coordenadores dos cursos e tivemos reuniões. Isso nunca foi proposto antes. Esse itinerário que é feito é um trajeto de 1970. Nós estamos com estrutura de ônibus de 1970. Nunca se pensou em mudar isso. A primeira vez que mudamos um desvio a mais a partir das 22h30, eles se mostraram parceiros. Não faria muita diferença para eles. E a comunicação foi direto entre nós e a ATU”.

Mesmo com a implementação do ponto, os alunos reclamam que os ônibus apenas circulam por ali após 22h30. Eles argumentam que nesse horário já está escuro e que seria necessário a adoção de mais ônibus para comportar suas necessidades. Mauri defende a adoção do horário: “No fundo, é uma sinalização que a aula é até 22h30, mas isso é negociável. Estamos aqui para dialogar. Se quiserem conversar, passem para os coordenadores dos cursos e eles vão passar para mim e podemos entrar em um meio-termo”. Segundo ele, o projeto é experimental já que o transporte fazer esse trajeto é novidade. “Tudo isso aqui são construções humanas e nascem das relações humanas. Não existe lei divina para que seja 22h30min. Hoje, estipulamos isso numa conversa, num entendimento e estamos abertos para mudança, já que é experimental ainda. Faz apenas um mês que temos esse projeto.” 

A Proinfra, através de seu pró-reitor, explica a questão dos transportes: “Desde que eu era estudante na década de 1970 que os alunos “brigam” por transporte. O ideal seria em todos os ônibus todo mundo ir sentado. É possível isso, mas demanda um custo. Nós tentamos achar um denominador entre o número de ônibus com a quantidade de alunos que precisam dele em tal horário.”

Serviços

Em relação aos serviços, têm-se aqueles que merecem destaque positivo: os horários de atendimento das bibliotecas, dos laboratórios de informática e secretárias. Já no âmbito negativo, se apresenta a questão do horário dos xerox e lanches e a qualidade dos alimentos. Para o xerox, a reclamação dos alunos é quanto à questão do horário que vai até 21h. Como as aulas acabam 22h30min, o acesso pós-aula fica impossibilitado. O coordenador do CCSH explica o motivo do tempo de atendimento: “Nós já tivemos duas casas de xerox: uma no bloco 74A e outra no 74C. Aos poucos, as empresas foram perdendo o interesse porque não é viável economicamente.

Nas licitações, em um primeiro momento, com horário até às 23h, não teve nenhum interessado. No segundo momento, modificamos o horário de funcionamento para que a empresa pudesse ajustar, pois em um horário das 8h até 22h, se precisa de três funcionários. Nós modificamos o horário e, com dois funcionários, o xerox pode ficar aberto até as 21h. O horário antigo ninguém tinha interesse porque precisava de três funcionários. No fundo, o horário é isso, nós estamos ajustando para conseguir manter essa estrutura funcionando.”

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Sobre os lanches, os estudantes reivindicam alimentos de melhor qualidade e horário até 23h. Mauri defende que o permissionário que tem a licença de vender no CCSH é aberto e de fácil acesso para mudanças, pois quanto melhor seu serviço, mais vendas ele terá. E que, da mesma forma que na questão do transporte, ele está aberto a sugestões.

No CE, o horário de atendimento do bar é até as 21h30min assim como o xerox. Ane Cristine lembra também que os laboratórios e coordenação do Centro ficam abertos até mais tarde, a fim de auxiliar de melhor forma os alunos noturnos: “Sempre que possível, priorizamos que o diretor ou o vice fiquem até mais tarde no CE”, comenta José Mario Doyles Soares ressalta: “Nós temos que lembrar que a UFSM tinha a fartura de cursos diurnos e isso gerou uma cultura de serviços diurnos. Agora estamos abrindo a discussão das aulas noturnas. Nós temos que buscar uma forma mais consistente de atender as demandas diárias. Com relação às lancherias, tem uma comissão que foi criada para investigar todas as lancherias do campus. A comissão é formada por pessoas especializadas de nutrição, administração e engenharia. Estamos buscando melhorias para o atendimento, qualidade do produto, espaço físico entre outros quesitos.”

Limpeza 

Quanto à limpeza dos prédios, os cursos noturnos acumulam a sujeira do dia inteiro, principalmente nos banheiros. As salas têm uma equipe da empresa terceirizada diferente dos banheiros, que acabam fazendo o serviço por volta do meio-dia. Já nos banheiros, Mauri explana: “A parte dos banheiros é constante. A responsável vai botando a placa na porta e vai limpando. Agora, imagina o banheiro que foi limpo na primeira hora da manhã. Chega meio-dia, ele está sujo. Às vezes, ela passa em todos e a gente pede para ela voltar. Inclusive, a gente pede para que os alunos ajudem: se tiver algo errado, fale na secretaria. A senhora que fica ali é colega e explica o que está errado. Elas têm boa vontade: o banheiro que foi limpo de manhã, dependendo da quantidade de aulas, se houve eventos, ele estará sujo de tarde e só será limpo no dia seguinte. Então surgem as reclamações. No intervalo é que dá o problema com o acúmulo para o noturno. A funcionária limpa 16 banheiros durante o horário de atendimento dela, então ela não volta para refazer o trabalho de novo”. O coordenador do CCSH não tinha notado dessa questão e após nossa reportagem perguntar ele falou que abriria a discussão na próxima reunião. 

A diretora do Centro de educação relata que a empresa terceirizada que cuida da limpeza do centro tem funcionários até às 17h. Após esse horário, a limpeza do prédio é feita por funcionários que ficam de plantão. Ane Cristine lembra também que o plantão é realizado durante os sábados também. O pró-reitor de infraestrutura fala sobre os contratos: “Em alguns contratos mais antigos, nós tínhamos algumas limitações de atendimento e vale lembrar que a universidade está com uma série redução orçamentária. Nós estamos revisando todos os contratos para otimizá-los. A UFSM ampliou muito o espaço físico, mas diminuiu o orçamento para os serviços básicos, isso é preocupante.” 

José Mario Doyles Soares, pró-reitor de infraestrutura, ainda declara: “Na realidade, a Proinfra tem uma estrutura pequena frente ao número de usuários e demandas. Se nós fizermos um paralelo com o campus-sede e o município, o prefeito municipal não tem conhecimento se alguma casa tem problema de rede elétrica, de água, esgoto, iluminação, ou seja, os moradores tomam as providências. Aqui no campus, tudo cai na Proinfra. Se tem problema de água, iluminação ou esgoto, nós temos que atender todos os prédios. Nós temos uma concentração muito grande de trabalho. Por um lado, é bom, mas por outro é preocupante já talvez demore para atendermos as demandas.” Segundo ele, é de se pensar, a longo prazo, uma maior independência dos centros para aliviar a Proinfra e melhorar os serviços.

BASTIDORES

Ficamos algumas noites na UFSM até tarde para recolher os relatos e tirar foto. Os relatos nos surpreenderam pois esperávamos que a segurança seria o ponto mais crítico a ser tratado, mas, felizmente, boa parte das pessoas elogiou essa questão. As fotos foram tiradas em uma noite em que fizemos vários trajetos por dentro da universidade.
Os diretores de centro foram bem prestativos conosco. Apesar do nervosismo aparente de alguns por conta de certos assuntos delicados tratados, foram muito úteis tanto para apresentar para a comunidade o que se passar quanto para nossa matéria.
Foi uma experiência difícil, mas enriquecedor.
Reportagem: Gabriel de David e Luã Santos
 
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